domingo, 18 de outubro de 2009

A irônia de Inglorious Bastards


A sensação é indescritível. Além de cômico, o filme revela quanto o ser humano é impiedoso. Não pelas atrocidades nazistas que já conhecemos, mas pelo seu desfecho de efeito espetacular.

Ao exterminar todos os nazistas de uma só vez na explosão do cinema da jovem judia Soshanna, Quentin Tarantino desperta no público o mesmo sentimento de satisfação que o caricato personagem de Adolph Hitler expressa durante todo o filme. Logo no início, no diálogo entre o camponês Pierre LaPadite ( Denis Menochet) e o caçador de judeus, Hans Landa (Christoph Waltz), Tarantino explora a insanidade do nazismo: ninguém sabe porque os ratos são odiados, eles servem apenas para serem mortos. Essa é a sensação reveladora e assustadora despertada ao ver a cúpula nazista ir pelos ares.

A construção dos diálogos e dos capítulos parece nos colocar no filme, regado ao banho sangue característico dos filmes de Tarantino. Os Bastardos, grupo liderado pelo irônico Aldo Raine (Brad Pitt) é simplesmente hilário. As doses de violência e sarcasmo parecem combinadas homeopaticamente.

Sensacional!

Veja o trailer:

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Search...

Odeio quando sou chamada para fazer entrevista de emprego e quando chego na empresa, cadê a entrevista? Prova é prova, entrevista é entrevista e ponto. Na verdade, o que me irrita não fazer a prova, mas sim ver a pretensão dos futuros patrões em achar que sou o sistema de busca do Google.

Esta semana participei de uma seleção que perguntava quem era Ana Hickman. Ora, mas que importância tem a Ana Hickman dentro das funções que teria que desempenhar. Como postou o André Coxa, que também participou da mesma seleção, no Twitter: “Se eu respondesse modelo, apresentadora e gostosa pra caralho seria considerado resposta 100% correta?”. Seleções assim, as vezes, me parecem sem critério.

No entanto, apesar desses dissabores, preciso continuar minha busca até que hoje encontrei um dos anúncios de emprego mais engraçado que já vi na vida. A Mythos Editora, que faz a produção editorial dos quadrinhos da Panini Comics, está buscando um sidekick (assistente editorial). O anúncio é muito criativo, como se fosse uma história em quadrinho e a ficha de inscrição pergunta até “por que acha que pode ser um super-herói dos quadrinhos?”. Sensacional. De uma forma descontraída, os conhecimentos específicos do candidato são testados. Gostei porque as perguntas não são feitas aleatoriamente, mas não me candidatei porque não sei nada de HQ.

Pra quem ficou curioso, é só dar uma olhada lá: http://www.mythoseditora.com/vaga/

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Metrô, o melhor amigo de São Paulo...ou de quem estiver carente

Ela era uma senhora gorda, usava galochas de oncinha e um casaquinho da mesma estampa. No rosto, os óculos de sol não escondiam somente os seus olhos. Uma “coroa” moderna. O metrô estava vazio e ela falava muito alto, a única alternativa era escutar a conversa dela com uma mulher que estava sentada ao seu lado. Elas não eram amigas, haviam acabado de se conhecer.

O grande problema da senhora era a sogra dela. “Aquela cobra só quer por o meu marido contra mim”. Ora, o que a outra mulher tinha a ver com isso? Se fosse comigo, nem daria atenção. E ela continuou: “Sábado ela ligou dezenove vezes no meu celular, eu não quis atender porque já sabia o assunto, não podia falar na frente das minhas amigas. Depois ela foi e falou um monte do pro meu marido.

- Ela é o demônio!

Confesso que nessa hora não aguentei e deixei um leve sorriso escorregar em meus lábios. A outra mulher, ainda calada, resolveu se manifestar: “Pois quem é o demônio na minha família é a minha mãe!”. Mais uma vez sorri, afinal porque elas tinham que contar a vida delas pra todos que estavam no vagão? Fiquei com ódio, mas segundos depois tive pena. Mesmo cercadas pelos amigos de trabalho e pela família, ambas estavam carente e, por isso, contariam seus problemas para o primeiro cachorro que encontrassem na rua. È muito comum encontrar, em transportes coletivos, andares solitários no meio da multidão, como essas senhoras.

Deve ser difícil não ter ninguém para compartilhar as desventuras do cotidiano. Mas elas não se importaram e por vinte minutos se tornaram amigas de infância. O condutor anunciou:

- Estação Santana.

Elas se despediram, desejaram boa sorte uma para outra e, provavelmente, nunca mais se encontrarão na vida.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O que fazer com uma ideia fixa? Post em tom de desabafo...

Inquieta. Porque nunca me dou por satisfeita com tudo que eu tenho em minhas mãos. Ah, esse meu jeito de sempre querer mais, de sempre querer mudar me incomoda. Na verdade, não gosto de rotina. Gosto de ter várias coisas pra fazer ao mesmo tempo, de escolher entre as mais e as menos importantes. E, por isso, me sinto assim: angustiada.

São nesses momentos que aparecem novas ideias que facilmente se tornam fixas e exigem atitudes extremas. Não é largar tudo e viver a vida loucamente, é apenas investir em mim, investir no meu futuro profissional. Aliás, esse é uma das minhas preocupações porque acho que ainda não consegui ser a profissional que tanto desejei. Não se trata de uma questão de competência (como já pensei muitas vezes) e sim de oportunidades. Tenho que ordenar constantemente: "Sheila, para de ser louca!"

Emprego legal, carga horária legal, vida normal. Deveria estar tudo ok, certo? Errado! Parece que ainda não consegui unir o útil ao agradável. E as idéias continuam surgindo fixamente. O que fazer? Não sei! Deixo as ideias apodrecerem ou as executo?Se alguém souber, me avise, por favor! Urgente!

Voltando...

E lá vamos nós. Confesso o relaxo de minha parte em parar de postar, mas as vezes fica complicado conciliar muitas tarefas em um mesmo dia. Trabalhar o dia todo na frente do computador faz a gente querer ficar longe da máquina em casa e, assim, o tempo passou. “Amanhã eu posto”, todos os dias era o mesmo pensamento, mas já se passou mais de um mês e nada. Se não postar virou rotina, então vamos sair da rotina, ué! Não prometo escrever todos os dias porque não gosto de mentir pra mim mesma, mas me esforçarei para postar com freqüência. Tamo aê na atividade!!

domingo, 12 de julho de 2009

Imagine se ele não fosse apegado ao cargo...



Segundo Roseana Sarney, filha do presidente do Senado, seu pai "não é apegado a cargo". Engraçada essa afirmação já que dia após dia, José Sarney vem resistindo cinicamente às denúncias que pesam sobre as suas costas e não larga, de forma alguma, a presidência da Casa.

Além dos Atos Secretos do Senado, o ex-presidente, ainda está envolvido em outros escândalos como, por exemplo, o desvio de parte da verba emitida pela Petrobras à Fundação José Sarney e uma "suspeita" conta no exterior. Sem contar que hoje, em pleno domingão, outra denúncia caiu como uma bomba. A nota fiscal da empresa varejista Sousa Premiere está na prestação de contas da entidade no convênio com a Petrobras. Teriam sido pagos R$ 12 mil por um curso de capacitação de história da arte ministrado para a Fundação José Sarney.

Na verdade, escrevi tudo isso só pra comentar sobre um vídeo muito bom que vi no blog OpinaSid. É um trecho do filme A Queda - As Últimas Horas de Hitler [download aqui] com a legenda adaptada à crise de Sarney. O nome é A Queda do Bigodão, vale a pena, é engraçado.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A festa do menino [Michael] morto



Enfim, acaba a festa do menino morto. Depois de 12 dias de sua morte, o caixão de Michael Jackson foi levado para diante dos “famintos” olhos da imprensa e dos fãs. O engraçado é que o mesmo ídolo pop que dias antes era só reconhecido por sua estranha figura foi ressuscitado em sua morte. Estranho? Não, afinal o sucesso póstumo sempre acontece e com Michael Jackson não seria diferente.
Quem assistiu ao filme “A festa da menina morta” deve ter percebido uma grande semelhança, afinal, as situações se dão em torno das misteriosas mortes de pessoas santificadas. Na ficção, a morte da menina é celebrada com uma festa em que toda a população segue em procissão cantando, chorando e rezando até chegarem ao altar para escutar o discurso de Santinho, o mensageiro da menina morta.
Na realidade, a narrativa caminhou pelos mesmos trilhos. Desde o dia da morte de Michael Jackson milhares de pessoas cantaram incansavelmente suas músicas, choraram, prestaram homenagens e caminharam rumo ao palco. A diferença é que nessa procissão, apenas 17.500 fiéis puderam se aproximar do santo, já que esse foi o número de ingressos distribuídos ao público. Outro ponto: ao contrário da “festa da menina morta”, acompanhada apenas pela população ribeirinha, o mundo acompanhou a cerimônia do rei do pop.

Onde estará o corpo de Michael Jackson agora? Ninguém sabe, não há notícias se houve enterro, se haverá cremação, nada! Onde foi parar o corpo da menina que dá nome ao filme? Ninguém sabe também! Pode ser loucura minha, mas vejo a ficção e a realidade se cruzando a todo instante nesses grandes espetáculos.
Parece-me que após a morte de Michael todos aqueles que o criticavam tomaram uma “dose” de bondade e passaram a entender sua excêntrica personalidade. Todos passaram à condição de psicólogos e começaram a avaliar os distúrbios de um homem que teve uma infância conturbada. Toda essa “parafernália” desnecessária fez parte da festa. No filme dirigido por Matheus Nachtergaele, são tantos os psicólogos que o irmão da menina morta se revolta e não quer a realização da festa. Ele alega que muitos nem sabem o que estão fazendo lá. Pois é, a vida – ou a morte – é assim...



Nota: Não, eu não sou insensível, apenas acho que as pessoas, independente se astros do pop ou moradores de uma região ribeirinha, tem o direito de morrer sem especulações. Para mim, esse negócio de criticar em vida e santificar na morte está completamente fora de moda (rs). Admito que gosto do Michael Jackson, suas músicas fizeram parte da minha infância, meus tios escutavam muito. Apesar de ser jornalista, em vários momentos, acho a imprensa completamente ...imbecil. "Who's bad?"